sexta-feira, abril 20, 2007

Sebos

Sempre fui rato de sebos. sou daqueles que não se cansam de garimpar livros embolorados em estantes sem fim. Porém, ultimamente, não consigo mais comprar livros em sebos.
Um fenômeno estranho colocou o preço dos livros usados muito próximos dos livros novos. Por exemplo, dia desses encontrei Estado de Medo, do Michael Crichton, por R$ 45,00 num sebo daqui; fui conferir na Livraria Leitura e custava R$ 60,00. Boa Diferença? não, se você contar que o livro estava bem amassado, com orelhas...
Tem um tempão que quero ler Musashi, mas ainda não tive coragem de pagar R$ 95,00 em cada volume; encontrei em um sebo de porto Alegre, por R$ 90,00.
Ah, e trocar livros é praticamente impossível. Fiz uma limpeza aqui em casa, levei 20 livros pro sebo, voltei com cinco.
Será que a síndrome do semi-novo contaminou os sebos? Preferia quando eram usados...

quarta-feira, abril 04, 2007

Abelhas? Onde?

Assunto sério no blog da Carla: o desaparecimento das Abelhas. Depois escrevo alguma coisa sobre isso, mas dêem uma olhada lá

segunda-feira, abril 02, 2007

300

E já começaram a malhar "300".
A principal crítica é a de que o filme vem, em um momento político delicado, apontar a ameaça vinda do Oriente, na figura de Xerxes e o império Persa, sendo a Pérsia antepassada do Irã. Será? O que o filme mostra é um império com valores decadentes que usa de sua força superior para subjugar o resto do mundo. Será que essa imagem se identifica com o Irã ou com qualquer outra nação oriental? Acho que é forçar a barra. Inclusive, a possibilidade da interpretação inversa é grande!
Outra: "o filme não é fiel à história". Nem de longe a proposta de "300" é a de ser um documento histórico. "300" é antes uma estória sobre honra, integridade de valores, honestidade, sacrifício... até pelas opções estéticas, o filme está longe de ser um retrato do que quer que seja, com cores e cenários completamente falsos. Ademais, nem Heródoto de Halicarnasso foi fiel aos fatos, quando de seu relato sobre a batalha das Termópilas, o "documento histórico" que trouxe o fato até a nossa era.
Além de seguir a linha "Sin City" de adaptação de quadrinhos para o cinema, reproduzindo fielmente o visual do quadrinho, até nas cores, "300" foge do padrão Americano de cinema, contando a estória de uma derrota absoluta, numa operação suicida, ou seja, conta a estória dos derrotados; heróis sim, mas derrotados cruelmente. Porém, demonstra que a derrota em questão serve a um propósito maior, mesmo que sem a garantia de que a ação estaria inserida em um contexto maior: Leônidas não tinha nenhuma garantia de que a Grécia iria dar seqüência ao combate aos Persas. Ainda, é uma estória que praticamente ignora valores individuais: o que importa é a ação do grupo; juntos eles são fortes, mas individualmente são irrelevantes.
O quadrinho do Frank Miller me emocionou muito, à época, e, portanto, sou definitivamente parcial na minha avaliação. Ainda assim, insisto que o filme deve ser visto, a despeito das críticas.

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Ciúme e controle

Alê comentou comigo que uma amiga tinha ido ao cinema com o namorado ver "13". Namorado controlador dá nisso. Eu como sou liberal fui com a Alê ver 300, sem maiores problemas.

sexta-feira, março 23, 2007

Telemarketing

Lemos uma dica interessante em um site sobre como lidar com o TELEMARKETING sem grosserias, e, de certa forma, dando um recado por meio do custo. Quando recebemos uma telefonema de telamarketing, pedimas para esperar um pouco, e deixamos o telefone em um canto da casa até que o operador desista. Melhor que dizer umas verdades, ou desligar na cara. A ligação longa gera custo, e baixa a produtividade dos operadores.
Nesse momento, o banco Itaú está ali de molho, pela oitava vez nas últimas duas semanas. Será quanto tempo vão demorar para perceber a burrada?

quarta-feira, março 21, 2007

Impressoras: lixo e mais lixo

O mercado comemora o aumento de vendas de impressoras no último ano.
Um aspecto interessante no mercado de impressoras é que, muitas vezes, é mais barato trocar a impressora do que trocar os cartuchos de tinta.
Comemorar? O troca-troca de impressoras só gera lixo e lucro para os fabricantes.

segunda-feira, março 19, 2007

O homem duplo

Philip K. Dick escreveu uma pá de estórias supimpa. No entanto, muitas delas tratam, na essência de um mesmo tema: conflito de identidade. Seja o policial que não tem certeza se é humano, em "Do androids dream of electric sheep", seja o policial que não sabe se é o criminoso em "Minority Report", seja o cientista às voltas com seu clone em "The impostor", e a lista vai longe.
"O homem duplo" não foge ao esquema, com o policial disfarçado que recebe a missão de investigar o personagem que criou ao se integrar a uma quadrilha de criminosos. A adaptação para o cinema, pelas mãos de Richard Linklater é bem esquisita. Retornando ao visual pseudo-animação já utilizado em "Waking life", à primeira vista a esquisitice é flagrante. Segue com uma estória de ficção científica em um cenário absolutamente contemporâneo. Por fim, recheia o filme com diálogos completamente descabidos, mas que nem por isso deixam de ser absolutamente brilalhantes (a conclusão conspiratória a que chega o grupo, partindo da compra de uma bicicleta de 18 marchas usada por U$ 50 é uma pérola do nonsense).
Linklater é um cara esquisito. Ter no currículo filmes tão diferentes como "Antes do amanhecer" (talvez o filminho romântico mais legal da história), "Waking life" (chato de doer), "Escola de rock" e este "O homem duplo", merece crédito. Afinal, de diretores que ganham a vida fazendo o mesmo filme há milênios, já basta.

sábado, março 17, 2007

The Devils

Há uns três anos ouvi dizer que alguém, chafurdando nos arquivos da Warner tinha encontrado as seqüências perdidas de "The Devils", de Ken Russel, cortado em pedacinhos pela censura em 1971, e que um projeto de restauração estava em andamento. A chance de ver um dos filmes mais polêmicos da história do cinema como deveria ter sido me deixou extremamente ansioso.
Ano passado fiquei sabendo que o trabalho de restauração estava pronta, e que, assim que resolvidas algumas questões legais, o DVD estava a caminho.
Bom, as questões legais ainda estão pendentes, mas já consegui ver o filme.
Antes de mais nada, fui reler "Os demônios de Loudun" (Aldous Huxley), que relata o caso de possessão demoníaca coletiva no Convento das irmãs Ursulinas em Loudun, França, no século XVII, um livro que todo mundo deveria ler.
O filme é todo anos '70, com um tom de deboche muito forte e cenários irreais de tão brancos. Tira um pouco do impacto, mas a estória é muito boa, e segura o filme. Oliver Reed e Vanessa Redgrave mostram porque ocupam a posição que ocupam no cinema. Tendo em mente que é um filme datado, quando aparecer, vale a pena ver!

Miss Sunshine x Tideland

O fato de existirem mentes tão pervertidas a ponto de colocarem menininhas tão simpáticas em situações tão esdrúxulas é certamente o sinal do fim do mundo. Tanto Olive quanto Jeliza Rose comem o pão que o diabo amassou. E não se abalam. Olive com sua surpreendente (e convincente) maturidade, capaz de encarar o tio homossexual-suicida, o irmão maníaco, o pai obcecado com auto-ajuda ou o avô viciado. Jeliza Rose com sua imaginação prodigiosa, apoiada em suas quatro amigas imaginárias (verdadeiras amigas-cabeça), e no total abandono em que vive, consegue aceitar o vício do pai, para o qual ela, inclusive, provê toda a logística.
Se "... Miss Sunshine" é um filme leve, com uma mensagem positiva, apesar da tragédia, "Tideland" é uma pedrada, que só se torna assistível pelo clima onírico que Terry Gilliam impõe ao filme (ninguém, além dele seria capaz de contar esta estória). Se em um cresce a esperança, no outro cresce o desespero.
Pobres menininhas...

segunda-feira, março 05, 2007

Mais sobre o mercado musical

Li uma coisa interessante hoje: será que a queda de qualidade da música comercial não seria, junto com a pirataria, uma das causas da queda de faturamento das gravadoras nos últimos 6 anos?
Longe de querer levantar uma bandeira nostálgica de "antigamente era melhor", mas a fórmula de promoção massificante de celebridades musicais (não são músicos, são?) pode estar se esgotando. Um CD é um bem durável e, ultimamente, dura muito mais que as músicas que contém. A roda-viva da descartabilidade musical gira cada vez mais rápida.
A voracidade do direito autoral, que já ciritquei aqui mesmo, pode ser a conseqüência dessa descartabilidade: o "artista" vê aquela como sua única chance; semana que vêm, já estará esquecido...